O kimono é uma das vestimentas japonesas mais conhecidas em todo o mundo e ainda hoje uma tendência de moda do Japão. A palavra tem origem do verbo “kiru” que significa “vestir” e “mono” que significa “coisa”, ou seja, “coisa de vestir”. Afinal, até meados do século 19 essa era a roupa usada por todas as pessoas no Japão, o quadro começou a mudar no fim do mesmo século, durante a Era Meiji, e, que vestidos e ternos também passaram a ser usados.

Portanto, o quimono faz parte da cultura e do cotidiano japonês e ainda são usados hoje em diversas ocasiões especiais, tais como: casamento, cerimônias de graduação, rituais de passagem de idade, festivais, etc.

A história do kimono

Embora não se saiba ao certo quais eram as roupas usadas na pré-história do Japão (Era Jomon – 10 mil AC a 300 AC), as pesquisas indicam que eram provavelmente túnicas de pele ou palha. Já na Era Yayoi (300 AC a 300 DC), o país foi marcado pela chegada da sericultura e técnicas têxteis da China e da Coréia.

Nessa época a cultura e a corte imperial japonesa receberam grande influência chinesa, não apenas quanto a religião budista, mas também de vestuário, tendo as roupas divididas em cerimoniais, corte e trabalho. Foi assim que o Japão começou a usar os primeiros quimono com gola em V, ainda similares aos chineses.

Na Era Heian (794-1185) o contato oficial com a China foi suspenso pela corte imperial, e esse afastamento permitiu que formas de expressão cultural genuinamente japonesas florescessem nesse período. No vestuário isso se refletiu em um novo estilo, mais simples no corte, mas mais elaborado em camadas e sofisticação têxtil.

Já na Era Heian (794-1185), uma vez que o contato oficial com a China foi suspenso, formas de expressão originalmente japonesas começaram a surgir e isso foi refletido em novas formas de se vestir. Os homens da aristocracia passaram a usar o sokutai, composto por uma saia-calça chamada oguchi, uma túnica e um penteado chamado kammuri composto por um chapéu e fitas amarradas ao cabelo. Uma versão mais simples disso ainda é usada hoje por sacerdotes xintoístas e se chama ikan.

Já as mulheres, damas da corte, usavam o amplo e esbelto karaginumo, um conjunto de doze kimonos finos chamados de uchiki, cada um de uma cor e mais curto que o outro, criando um efeito multicolorido.

E quando apareceu o kimono samurai?

Na Era Kamakura (1185 a 1333), o Xogunato trouxe novos estilos adotados pela classe dos samurais. Na corte imperial, os grandes senhores e oficiais ainda usavam o sokutai, mas um traje de capa engomada e gola arredondada com mangas longas chamada kariginu também passou a ser usado pelos senhores feudais e samurais.

Já as mulheres começaram a usar uma combinação de uchiki com um hakama, isto é, uma saia-calça com placa de sustentação nas costas, comumente usada por homens também.

A Era Muromachi (1333 a 1568) foi marcada pelo uso do uchikake ou kaidori, similar ao kosode – um quimono que, a princípio, era tido como roupa de baixo – usado pelas mulheres de alta classe e, hoje em dia, muito visto em casamentos tradicionais japoneses como o traje da noiva, um kimono feminino.

Na Era Azuchi-Momoyama (1568-1600), período marcado por constantes guerras pelo poder entre os generais Hideyoshi Toyotomi e Nobunaga Oda, os samurais continuaram a usar coloridos e ricos conjuntos de peças superiores com calças, chamados de kamishimo – um kimono masculino com uma saia-calça ampla, longa e estruturada chamada nagabakama, tudo feito no mesmo tecido, às vezes complementado por uma jaqueta sem mangas, com ombros alargados e estruturados em tecido diferente. O kamishimo continuou sendo usado até a segunda metade do século XIX.

Durante as guerras da Era Azuchi-Momoyama (1568 a 1600), os samurais ainda usavam coloridas peças superiores e calças, conjunto chamado de kamishimo, até a metade do século 19, mas novas formas de expressão artística e cultural vieram no Xogunato Tokugawa (1600 a 1868), marcado pela vinda do teatro kabuki, sobretudo em Edo (hoje Tóquio), Osaka e Kyoto, as cidades que ditavam a moda japonesa.

Nessa mesma era, o Xogunato fez adições ao kosode: o hakama e o haori que hoje compõem o traje dos noivos em casamentos tradicionais.

Como os kimonos são usados nos dias de hoje?

Além do casamento, há outras ocasiões em que os japoneses usam quimono. As mulheres, por exemplo, comumente os usam durante uma cerimônia do chá ou ikebana, os arranjos florais japoneses. Nesses eventos tanto meninas quanto mulheres solteiras usam o furisode, um tipo de kimono colorido com mangas compridas e amarradas com um obi.

Em funerais, homens e mulheres usam um quimono preto liso, o que às vezes torna difícil saber se um homem está indo a um casamento ou funeral já que esse kimono masculino pode ser usado para ambas as ocasiões.

Em janeiro de cada ano, jovens de 20 anos comemoram o dia da Maioridade (Seijinshiki – Cerimônia da Maioridade). Outras ocasiões, que se veste quimono incluem Ano Novo , cerimônias de formatura e Shichi-go-san para as crianças.

Em janeiro de cada ano acontece o seijinshiki, ou dia da maioridade, em que os jovens completam 20 anos de idade e vestem quimono. Geralmente eles são alugados para a ocasião porque comprá-los pode ser muito caro! As crianças também comemoram a cerimônia de formatura, conhecida como shichigo, vestindo kimonos.

Antigamente a arte de vestir kimono era passada de mãe para filha, mas atualmente as escolas ensinam as técnicas e existem pessoas especializadas no assunto que orientam japoneses e estrangeiros no Japão a como vesti-lo corretamente.

De que é feito um kimono?

Os quimonos são feitos de tecido de seda, embora também existem os de lã ou sintéticos usados em épocas de frio. Já os yukata são kimonos de algodão comumente usados com geta, os calçados de madeira, por ambos os sexos durante o verão, em onsen – as piscinas térmicas japonesas – ou ryokan – pousadas tradicionais – ou eventos como hanabi, a exibição de fogos de artifício.

E você? Já usou kimono japonês alguma vez durante algum evento no Brasil ou Japão? Então, deixe um comentário aqui neste post e nos conte como foi a sua experiência.

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